08ago21 | COVID-19: Boletim de epidemiologista

Semana Epidemiológica 31 (SE 31) | Início: 01/08 até 07/07

Sumário:
COVID-19 | Assuntos do momento
COVID-19 | Análise comparada de cenário epidemiológico no Brasil
COVID-19 | Análise da positividade no RT-PCR por UF

COVID-19 | Assuntos do momento


Presença do vírus SARS-CoV-2 em aerossóis de pacientes com COVID-19


Sabemos que independentemente da presença de sintomas, os pacientes com COVID-19 podem abrigar altas cargas virais de SARS-CoV-2 em suas vias respiratórias e dispersá-los no ar, seja em formato de gotículas que possuem tamanho médio maior que 5 micrômetros ou aerossóis que tem tamanho menor que 5 micrômetros (Figura 1).


Transmissão por gotículas: quando as gotas ao tossir ou espirrar atingem os olhos, nariz ou boca de outra pessoa
Transmissão por aerossóis: pequenas partículas ficam suspensas no ar e viajam por distâncias maiores e podem ser inaladas por outra pessoa.

Figura 1. Diferença entre transmissão por gotícula e por aerossóis

Em artigo publicado em 06 de agosto na revista Clínical Infectious Diseases os autores desenvolveram estudo para determinar as cargas virais (quantidade de vírus presente) em gotículas (> 5μm) e aerossóis (≤5μm) produzidos ao respirar, falar e cantar.


Para coletar a amostras, os pesquisadores utilizaram um coletor de ar exalado G-II (Figura 2). Eles colocaram os pacientes para ficar respirando por 30 minutos, falando por 15 minutos e cantando por 15 minutos para coletar os aerossóis e gotículas com presença do vírus SARS-CoV-2 e medir a quantidade presente na amostra, conforme na figura 2 abaixo.


Figura 2. Coletor de ar exalado G-II

Os pesquisadores observaram que 13 participantes (59%) emitiram níveis detectáveis ​​de RNA de SARS-CoV-2 em aerossóis respiratórios, incluindo 3 pacientes assintomáticos e 1 pré-sintomático.


As cargas virais variaram de 63 até 5.821 cópias do gene N por atividade expiratória por participante, com alta variação de pessoa para pessoa. Pacientes no início da doença eram mais propensos a emitir RNA detectável.


Dois participantes, amostrados no 3º dia da doença, foram responsáveis ​​por 52% da carga viral total.


No geral, 94% das cópias de RNA do SARS-CoV-2 foram emitidas por falar e cantar.


Curiosamente, 7 participantes emitiram mais vírus falando do que cantando. No geral, os aerossóis (os menores) constituíram 85% da carga viral detectada no estudo. As culturas de vírus foram negativas.


Como conclusão os autores descrevem que aerossóis menores (≤5μm) produzidos pela fala e pelo canto contêm mais cópias do SARS-CoV-2 do que as gotículas (> 5μm) e podem desempenhar um papel significativo na transmissão do SARS-CoV-2.


Comentários do epidemiologista:

A exposição a aerossóis, especialmente em ambientes fechados, deve ser mitigada. Por este motivo, esta é mais uma evidência robusta de que a transmissão da COVID-19 não se dá exclusivamente pela 💧 gotículas. Por este motivo, temos que aprimorar e exigir o uso de máscaras de melhor qualidade. A vigilância sanitária deve reforçar a fiscalização da venda de máscaras de tecido e atualizar o material de orientação para produção de máscaras faciais de uso não profissional (Figura 3).


Figura 3. Orientações da Anvisa para produção de máscara de tecido


Escala de proteção das máscaras por tipo de material


Figura 4. Tipos de máscaras de proteção segundo material de fabricação


A máscara profissional já está mais barata e deve ser a preferência se você for para um espetáculo, teatro ou qualquer atividade em ambiente fechado.

Fonte:

  • BBC

  • Kristen K C et al. Viral Load of SARS-CoV-2 in Respiratory Aerosols Emitted by COVID-19 Patients while Breathing, Talking, and Singing, Clinical Infectious Diseases, 2021;, ciab691, https://doi.org/10.1093/cid/ciab691


COVID-19 | Análise comparada da situação epidemiológica


O primeiro caso confirmado de COVID-19 ocorreu em 28 de fevereiro de 2020 em São Paulo. Desde então, se passaram 1 ano, 5 meses, 10 dias ou 526 dias de pandemia no Brasil. Até 07 de agosto de 2021, ao final de 31 semanas epidemiológicas de 2021, acumulamos 20 milhões de casos e 563 mil óbitos.


Incidência: casos / população x 100 mil habitantes


Neste balanço os Estados que acumularam os maiores coeficientes de incidência por 100 mil habitantes foram Roraima, Santa Catarina, Amapá, Mato Grosso e Distrito Federal.


Os menores coeficientes foram do Maranhão, Pernambuco, Rio de Janeiro, Pará e Alagoas.


Mortalidade: óbitos / população x 1 milhão de habitantes


Em relação à mortalidade por 1 milhão de habitantes foram Mato Grosso, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima e Mato Grosso do Sul.


Os menores coeficientes foram do Maranhão, Bahia, Alagoas, Pará e Pernambuco respectivamente.


Figura 1. Casos, Óbitos, Incidência por 100 mil habitantes e Mortalidade por 1 milhão de habitantes segundo Unidade Federada e Região Geográfica, acumulado desde o início da pandemia em 2020

Considerando o valor dos indicadores para o país, podemos dividir a distribuição em quatro quadrantes e observar quais estados acumularam os maiores e menores valores de casos e óbitos em relação à sua população. Podemos observar que nesta relação o Estado do Mato Grosso apresenta a relação mais desfavorável com maior número de óbitos, enquanto Roraima apresenta a maior proporção de casos.


Figura 2. Gráfico de dispersão entre incidência e mortalidade segundo Unidade Federada e Região Geográfica, acumulado desde o início da pandemia em 2020


Os dados acumulados já não fazem muito sentido para controlar a pandemia, apenas para observar o impacto em cada população. No entanto, as incidências das últimas quatro semanas epidemiológicas indicam atividade da doença em cada estado e podemos observar que nas duas últimas semanas que abrangem o período de 25/07 até 07/08 (SE 30 somada à SE 31) temos uma relação positiva no RJ (+28%) comparando a SE 30+31 com a SE 28+29. Os outros estados com relação positiva são GO (16%), DF (12%) e Paraná (11%). Ou seja, nestes locais há tendência de aumento no número de casos.


Os Estados com redução mais representativas foram RS (-231%), seguido de RN (-123%), AP (-81%), BA e SE (-61%) e ES (-47%).


Figura 3. Casos e Incidência por 100 mil habitantes segundo Unidade Federada e Região Geográfica, no período da semana epidemiológica 28 a 31 de 2021.

Figura 4. Óbitos e Mortalidade por 1 milhão de habitantes segundo Unidade Federada e Região Geográfica, no período da semana epidemiológica 28 a 31 de 2021.

Podemos observar que MG, RJ e RS apresentaram volume de registros elevados nas semanas 28 e 29. No entanto, nas duas últimas semanas os coeficientes ficaram mais próximos podendo perceber que o aumento nesses estados foi decorrente do erro histórico do Ministério da Saúde ainda estar divulgando os dados por Data de Notificação e não por dada de início dos sintomas. Este seria o ideal como os Estados do ES, RS, DF e outros estão fazendo. É preciso ajustar urgentemente o painel do Ministério da Saúde.


Figura 5. Gráfico de dispersão entre incidência e mortalidade segundo Unidade Federada e Região Geográfica, das somatória de casos e óbitos da semana 28 e 29

Figura 6. Gráfico de dispersão entre incidência e mortalidade segundo Unidade Federada e Região Geográfica, das somatória de casos e óbitos da semana 30 e 31

Outro dado muito relevante é a cobertura vacinal com esquema completo em relação à população do Estado. Neste indicador podemos observar que os estados Mato Grosso do Sul está com 46,5% da sua população com duas doses ou dose única aplicada, seguido pelo Rio Grande do Sul com 35,9%, São Paulo com 31,7%, Espirito Santo com 29,5% e Paraná com 27,9%.


Figura 7. Cobertura vacinal com esquema completo segundo Unidade Federada e Região Geográfica, no período da semana epidemiológica 28 a 31 de 2021.



Figura 8. Gráfico de dispersão Cobertura vacinal com esquema completo e incidência por 100 mil habitantes, segundo Unidade Federada e Região Geográfica, no período da semana epidemiológica 28 a 31 de 2021.


Figura 9. Gráfico de dispersão Cobertura vacinal com esquema completo e mortalidade por 1 milhão de habitantes, segundo Unidade Federada e Região Geográfica, no período da semana epidemiológica 28 a 31 de 2021.


Análise da positividade por RT-PCR por UF


Série histórica de positividade no Brasil segundo os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACEN) na série histórica.


Na semana epidemiológica 30 o Brasil atingiu a menor proporção de amostras positivas em relação ao total de amostras testadas para COVID-19 em RT-PCR, com 17,34% das amostras positivas para COVID-19. Para comparação em meados de março, na SE 10 (07/03-13/03), tivemos a maior positividade com 36% de amostras positivas na ocasião foram 2,4 milhões de testes processados no mês. Em julho de 2021 processamos 850 mil amostras e em outubro de 2020 foram 973 mil amostras com positividade de 18%. Ou seja, estamos com parâmetros similares aos observados em outubro do ano passado, quando os Estados começaram a fazer maior flexibilização. No entanto, vimos o resultado da falta de planejamento centralizado de ações, com aumento de casos em dezembro e janeiro.



Casos confirmados por COVID-19 até 7 de agosto de 2021

É mostrada a média contínua de 7 dias. O número de casos confirmados é inferior ao número de casos reais; a principal razão para isso são os testes limitados


Óbitos confirmados por COVID-19 até 7 de agosto de 2021

É mostrada a média contínua de 7 dias. Testes limitados e desafios na atribuição da causa da morte significa que o número de confirmadostestes limitados

as mortes podem não ser uma contagem precisa do verdadeiro número de mortes por COVID-19.


REGIÃO SUL: RS (Rio Grande do Sul), SC (Santa Catarina), PR (Paraná)


O Estado do Paraná possui a melhor e mais capilarizada rede de vigilância de síndromes respiratórias do país. A média de testes na série histórica por mês foi de 192 mil testes, enquanto que RS é de 64 mil e SC está com 49 mil.



REGIÃO SUDESTE: SP, MG, RJ e ES


Na região sudeste os Estado do RJ e ES apresentam positividade em elevação. Possivelmente pela ampliação da testagem com os testes de antígeno que estes estados estão conseguindo captar mais casos assintomáticos.



REGIÃO CENTRO-OESTE: DF, GO, MS e MT


A região centro-oeste apresenta aumento na positividade no DF e GO.


REGIÃO NORDESTE: PE, BA e CE


Nos três estados observados há queda na positividade em PE, BA e CE. A Bahia apresenta a maior queda na positividade.