#17. COVID-19: Saúde do viajante e avaliação de risco



Introdução


O deslocamento de populações humanas e suas viagens para visitar parentes, realizar turismo ou comércio é força potente para a emergência, reemergência e disseminação de doenças. O fluxo internacional de pessoas, bens e mercadorias é cada vez maior. Infelizmente, o risco de transmissão de doenças entre habitantes de regiões geograficamente distantes do planeta também aumenta.


No Brasil, como nos demais países, também ocorreram à introdução de doenças por meio de viajantes, a exemplo da introdução do vírus HIV na década de 1980; da epidemia de Cólera no começo da década de 1990 e da Influenza H1N1 em 2009, oriundas de outros países. Em viagens dentro de nosso próprio território apresenta-se o risco de disseminação da Malária devido à ocupação da Amazônia e a transmissão da febre amarela silvestre em áreas de ecoturismo.


A Organização Mundial de Turismo estima algumas dezenas de milhões de turistas se deslocando no início dos anos 1950, crescendo amplamente até chegar aos mais de 900 milhões de pessoas viajando no ano de 2007 e projetando mais de 1,6 bilhão de viajantes chegando a algum destino ao redor do globo em 2020.


Apesar das doenças infecto-contagiosas não estarem entre as principais causas de adoecimento entre os viajantes, elas podem vir a ter um significativo impacto sobre a saúde pública, como ao serem introduzidas novas doenças ou mesmo pela reintrodução de outras já controladas em nosso meio. Sendo assim, o viajante deve obter informações prévias sobre possíveis riscos de exposição com o objetivo de evitá-los ou minimizá-los, mediante aplicação de medidas de precaução, prevenção e controle.


A vacinação faz parte de um conjunto dessas medidas preventivas, assim como o cuidado com a água e alimentos a serem consumidos, o contato com animais, vetores e grandes contingentes populacionais, relacionamentos sexuais protegidas, prevenção de acidentes de trânsito, esportes de risco como alpinismo e mergulho, entre outros.


Por sua vez, a rede de saúde deve estar preparada para fazer o diagnóstico precoce, medidas de controle e tratamento oportunos de doenças relacionadas à viagem.


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa tem a atribuição de proteger a saúde do viajante em trânsito pelas áreas portuárias, aeroportuárias e de fronteiras, monitorando a segurança sanitária de pessoas e produtos que entram e saem do nosso país.


Já a Secretaria de Vigilância em Saúde, por meio do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde - CIEVS tem atribuição de o acompanhamento de um conjunto de doenças que, pelo seu elevado potencial de disseminação e/ou riscos à saúde pública, necessita de acompanhamento por parte do Ministério da Saúde. Também está incluída a ocorrência de "agravos inusitados", que são casos ou óbitos de doença de origem desconhecida ou alteração no padrão epidemiológico de doença conhecida.


Novas regras da União Europeia


Em 1 de fevereiro de 2021 o Conselho da União Europeia alterou a recomendação sobre o transito entre os países do bloco e recomendações sobre as restrições à livre circulação em resposta à pandemia.


De acordo com a recomendação atualizada, uma nova cor (vermelho escuro) é adicionada às categorias existentes de verde, laranja, vermelho e cinza no mapa semanal publicado pelo ECDC.



Essa cor se aplicará a áreas onde o vírus está circulando em níveis muito altos, inclusive devido a mais variantes infecciosas preocupantes. Estas são definidas como áreas onde a taxa de notificação de casos COVID-19 cumulativa de 14 dias é de 500 por 100.000 pessoas ou mais.


Os Estados membros devem DESENCORAJAR todas as viagens não essenciais para áreas vermelhas e vermelhas escuras, ao mesmo tempo que procuram evitar interrupções nas viagens essenciais.

Os Estados-Membros devem exigir que as pessoas que viajam de uma área classificada como vermelho escuro:

  • ser submetido a um teste para infecção por COVID-19 antes da chegada

  • passam por quarentena / auto-isolamento

  • Medidas semelhantes podem ser aplicadas a áreas com alta prevalência de variantes preocupantes.


Dado o aumento na capacidade de teste do COVID-19, a recomendação também foi alterada para dar aos Estados membros a opção de exigir que os viajantes vindos das áreas laranja, vermelha e cinza façam um teste antes do embarque.


Em princípio, os trabalhadores e prestadores de serviços de transporte não devem ser submetidos a um teste. Quando um estado membro exige que eles sejam submetidos a um teste, testes rápidos de antígenos devem ser usados.


As pessoas que vivem em regiões fronteiriças e a atravessam diariamente ou com frequência, por exemplo, por motivos de trabalho, estudo ou família, não devem ser submetidas a testes ou quarentena / auto-isolamento. Se um requisito de teste for introduzido, a frequência dos testes nessas pessoas deve ser proporcional.


Estas medidas atualizadas são uma resposta coordenada ao aumento das infecções e aos riscos colocados pelas novas variantes mais transmissíveis do vírus dentro e fora da UE. Eles seguem a recomendação do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) para evitar viagens não essenciais, a fim de retardar a importação e disseminação de novas variantes preocupantes.


Ao agir de forma coordenada, os Estados-Membros pretendem evitar a reintrodução dos controlos nas fronteiras internas e garantir que a livre circulação de bens e serviços não seja perturbada.



Comentários:


Entre os anos de 2007 e 2016 o Brasil foi sede de todos os grandes eventos do planeta. Eu tive a honra e oportunidade de atuar como ponto focal do Ministério da Saúde em todas as oportunidades e desenvolver uma série de soluções para o SUS.

Por ocasião de uma viagem, além de preparar as malas, é preciso verificar se as vacinas de rotina estão em dia, de acordo com a faixa etária e, de acordo com o destino da viagem, buscar informações sobre outras vacinas que estão indicadas ou recomendadas como uma exigência internacional ou que requer certificado de vacinação.


Principais vacinas:

  1. Febre Amarela

  2. Hepatite A

  3. Hepatite B

  4. Difteria

  5. Tétano

  6. Poliomielite

  7. Febre Tifoide

  8. Raiva Humana

  9. Meningocócica

  10. Cólera

  11. Diarreia (Enterotoxigenica)

  12. Encefalite Japonesa

  13. Gripe

  14. COVID-19

As vacinas dos calendários oficiais do Ministério da Saúde estão disponíveis em todas as unidades de saúde da rede SUS. A vacinação de rotina na rede de serviços de saúde tem como objetivo identificar e proteger as pessoas não vacinadas, conforme calendário de vacinação oficial da criança, do adolescente, do adulto, do idoso e povos indígenas, regulamentado pelas Portarias Ministeriais


Antes de viajar, para qualquer local, consulte o site da Anvisa para saber as regras locais de destino e evite contratempos. Durante a pandemia, só faça viagens necessárias. Não é tempo para ficar circulando.


ANVISA: Saúde do viajante


Fonte: https://www.consilium.europa.eu/

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