#8. COVID-19: Situação epidemiológica do Brasil até 14 de janeiro de 2021



Até 14 de janeiro o Brasil acumulou mais de 8,3 milhões de casos e mais de 207 mil óbitos. Com base nos dados publicados no Our World in Data, elaborei alguns gráficos para comparar nossa situação até o momento e para fazer algumas reflexões.


No gráfico abaixo, você poderá observar a série histórica do Brasil iniciando na semana epidemiológica 9 quando registramos os primeiros casos em São Paulo, até ontem 14 de janeiro de 2021, semana 02 incompleta. Observe que no ano passado o primeiro "pico/onda" foi de 150 casos confirmados de COVID-19 para cada 100 mil habitantes. Após esse valor máximo, tivemos uma queda sustentável por 15 semanas consecutivas.


Atingimos a menor incidência e mortalidade na semana epidemiológica 45, entre 01 a 07 de novembro de 2020.


No entanto, a partir da semana epidemiológica 45, iniciamos uma subida sustentável e continuamos subindo. Não se engane com as quedas das semanas 52 e 53, pois são apenas quedas administrativas. Lamentavelmente, o Ministério da Saúde não está disponibilizando os dados por data de início dos sintomas. Quando tivermos esses dados, será possível conhecer a verdadeira curva de casos e óbitos. Enquanto isso, vamos fazendo como é possível.


Veja que nacionalmente tivemos vários feriados nacionais importantes no segundo semestre. Lamentavelmente foi um período em que ocorreram fatores que culminaram na "tempestade perfeita" para recrudescência da transmissão. Ao alinharmos a redução no número de casos, com o cansaço da população das seguidas quarentenas, com o período eleitoral de carreatas e candidatos que ficaram doentes demonstrando a exposição, com esses feriados nacionais que foram ampliados com recessos, escolas fechadas, abertura de bares e restaurantes, aumento dos voos, relaxamento das medidas de distanciamento social e principalmente a postura de certas autoridades, era seguro que não iríamos aproveitar o período do verão como fizeram os países da Europa e América do Norte, por exemplo.

Estamos em um momento que é emblemático. Se você está observando aumento na semana epidemiológica 01/2021 é motivo de preocupação. Nesse período os registros caem e por isso, pode jogar esse taxa de 169 por 100 mil para cima. É certo que a nossa situação epidemiológica está muito, mas muito mais grave do que estamos vendo.


Se a imprensa procurar, saberá que há milhares de fichas de casos sem digitação que não entraram no sistema e outras tantas que foram coletadas amostras laboratoriais que não foram concluídas as testagens.


Até o dia 12 de janeiro, segundo o belo trabalho da Coordenação Geral de Laboratórios da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, temos um total de 117.830 amostras em análise.


Atualmente 80% dos resultados estão sendo liberados com até 48 horas, após entrar no Laboratório Central do Estado (Lacen).

Veja que a curva de positividade do Brasil aumentou muito a partir da SE45, reflexo das situações que referi anteriormente.

Veja que essa curva apresenta padrões distintos em cada região geográfica. No entanto, na Região norte observa-se um leve aumento a partir da SE50. Portanto, demonstrando o que viria pela frente.

Veja que a positividade começa a aumentar a partir da SE44 e esse dado é atualizado diariamente pelo Sistema Gerenciador de Ambiente Laboratorial. Daria tempo de ter alertado a sociedade para esse aumento. Não é possível compreender ou justificar a inércia.


Análise de Manaus


O que estamos vendo hoje em Manaus, lamentavelmente estava indicado desde a SE50, pelo menos. Veja o aumento no número de exames realizados com suspeita de COVID-19.

Agora veja a positividade de amostras realizadas do Município de Manaus, veja que na SE53 a positividade chegou a 46% contra 12% poucas semanas antes. É pouco provável que o governo federal não ter se atentado com os dados em suas mãos.


Além de Manaus, os municípios Anori, Japurá, Novo Aripuanã, Rio Preto da Eva, Urucurituba, Alvarães, Boa Vista do Ramos, Apuí, Itapiranga e Pauini também merecem atenção.









Análise comparativa dos países nos últimos 3 meses



COVID-19: casos novos diários por milhão de habitantes, entre os 10 países com o maior número de registros


Considerando os países com as maiores incidências, o Brasil ocupa a sétima posição no dia 13 de janeiro. No entanto, no global somos a terceira nação com o maior número de casos por 100 mil habitantes.

COVID-19: óbitos novos diários por milhão de habitantes, entre os 10 países com o maior número de registros


Considerando os países com as maiores mortalidades por COVID-19, o Brasil ocupa a sexta posição no dia 13 de janeiro. No entanto, no global somos a terceira nação com o maior número de casos por 100 mil habitantes.

No entanto, é praticamente impossível comparar com esse padrão de testagem que estamos fazendo. Veja que o Brasil nem aparece no gráfico de número de testes diários para cada 1.000 habitantes. Na verdade, nunca entramos nesse gráfico.

Vacinação


Por continente




Países do continente Americano que começaram a vacinar




Países do continente Europeu que iniciaram a vacinação




Países do Oriente Médio que iniciaram a vacinação




Países da Ásia que iniciaram a vacinação



Fontes:


http://plataforma.saude.gov.br/coronavirus/virus-respiratorios/

https://ourworldindata.org/

https://bigdata-covid19.icict.fiocruz.br/

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