Comparação entre o total de mortes mensais por COVID-19 e outras causas no Brasil de jan/20 a mar/22



Em 12 de março de 2020 foi registrado oficialmente o primeiro óbito por COVID-19 no território nacional. Desde então, até 27 de março de 2022, se passaram 745 dias, ou 2 anos e 15 dias. Segundo os dados oficiais do Ministério da Saúde, foram registrados 660.045 óbitos no Brasil desde o início da pandemia. Deste, 196 foram registrados no dia 26/03 (sábado) e 117 em 27/03 (domingo).


Com o objetivo de descrever o padrão da distribuição das mortes no Brasil, apresento alguns dados sobre as medidas de tendência central e dispersão por Unidade Federada.


Segundo as análises mais atuais da Universidade de Washington, publicadas no Institute for Health Metrics and Evaluation em 27 de março, estaríamos com 1,5 óbitos por 1 milhão de habitantes, variando de 1 a 2 óbitos diários. Esta projeção seria verdadeira se as condições e padrões forem semelhantes ao observado até 10 de março de 2022 (Figura 1).


Figura 1: Distribuição da mortalidade diária por 100.000 habitantes e projeção de 11 de março a 1º de julho de 2022, segundo Institute for Health Metrics and Evaluation

Com base nos dados oficiais publicados em 27 de março de 2022, realizei a análise da mortalidade diária e o padrão observado está melhor que o estimado (Figura 2).


Figura 2: Distribuição da mortalidade diária por 1 milhão habitantes até 26 de março de 2022.

Observando os dados agregados por mês, verifica-se que o mês de março de 2022 apresenta padrão de mortes por 100 mil habitantes próximo ao observado nos meses com menor pressão sobre o sistema de saúde em 2021 e caminhando para padrão próximo de abril de 2020, único mês com indicador menor que 4 e quando as mortes por COVID-19 começam a ficar mais evidentes mas ainda dentro da capacidade de resposta dos sistemas de saúde (Figura 3).


Figura 3: Distribuição da mortalidade por 100.000 habitantes, de acordo com o mês e ano de notificação. Brasil, 2020 a 26/03/2022.

Na primeira análise, realizei o cálculo da distribuição global de cada Unidade Federada desde o início da pandemia. Neste dado, podemos verificar que no Brasil, 50% dos dias registraram mais de 694 óbitos por dia até o máximo de 4.253 óbitos no dia 8 de abril de 2021, sendo o dia mais crítico em toda a série histórica da pandemia. Lembrando que nesta data, apenas 3% da população tinha esquema básico de vacina completo. Comparando a média diária em cada mês de janeiro a abril, verificamos que o mês de março de está próximo ao padrão de abril de 2020 (Figura 4)


Figura 4: Medidas de tendência central e dispersão da série histórica e destaque para a média nos meses de janeiro-fevereiro-março-abril. Brasil, 2020 a 26/03/2022.

Nesta outra analise separei as medidas por ano de notificação dos óbitos para cada Unidade Federada. Verifica-se que o ano de 2022 apresenta valores inferiores em todos os quartis (Figura 5).


Figura 5: Medidas de tendência central e dispersão por ano e Unidade Federa. Brasil, 2020 a 26/03/2022.

Utilizando-se da projeção tipo "radar", verifica-se que a maioria dos óbitos ficaram concentrados entre junho e julho de 2020, março e junho de 2021 e fevereiro de 2022 (Figura 5).


Figura 5: Gráfico tipo radar com a projeção do número de mortes por 1 milhão de habitantes no Brasil de janeiro de 2020 a dezembro de 2022.


Nesta outra análise, agrupei os Estados do Brasil segundo o padrão sazonal de vírus respiratórios. Neste sentido, observa-se que a circulação destes vírus começa na região noroeste que engloba toda a região norte, menos o Estado do Tocantins. Apenas no ano de 2022 ocorreu uma "equalização" das curvas de todos os Estados no mês de fevereiro. É como se todos estivessem apresentando um padrão similar de mortalidade. Este fato é muito interessante e diferente do observado em 2020 e 2021, quando o padrão sazonal ficou mais "parecido" com a série histórica de influenza e outros vírus respiratórios (Figura 6). Alerto para se atentar à escala de 800 óbitos por 1 milhão de habitantes.

Figura 6: Gráfico tipo radar com a projeção do número de mortes por 1 milhão de habitantes na região NOROESTE de janeiro de 2020 a dezembro de 2022.

Em 2020, observou-se um padrão muito "previsível" de manifestação das síndromes respiratórias agudas graves. Temos quase que simultaneamente começando no Amazonas e Rondônia na região noroeste, em seguida Pernambuco, Ceará e Rio de Janeiro começam a dar sinais de maior preocupação (Figura 7).


Figura 7: Gráfico tipo radar com a projeção do número de mortes por 1 milhão de habitantes na região LESTE de janeiro de 2020 a dezembro de 2022.


A região CENTRAL apresentou início mais tardio em 2020 e padrão mais próximo das demais em 2021. No entanto, em 2022 foi idêntico, mas com um padrão mais estreito (Figura 8).


Figura 8: Gráfico tipo radar da região CENTRAL de janeiro de 2020 a dezembro de 2022.


A região CENTRO-SUL engloba a região sul mais SP e MG. Esta região é praticamente o padrão do Brasil. O período mais crítico ocorreu entre março e julho de 2021 (Figura 9).


Figura 9: Gráfico tipo radar da região CENTRO-SUL de janeiro de 2020 a dezembro de 2022.



COMPARAÇÃO DO ÓBITOS POR COVID-19 E OUTRAS CAUSAS


Segundo os dados oficiais do Ministério da Saúde, em 2020 foram registrados 195 mil óbitos em números absolutos, sendo que no SIM já há registro de 209,7 mil. Isto significa que estes números podem ser revisados para cima no futuro quando a base passar por avaliação. Estudos estimam que há 1,5x mais óbitos do que o registrado na base.


Comparando o padrão de dois anos COVID-19 com influenza, temos que o pior ano de influenza ocorreu em 2016 com 84 mil óbitos. Isto significa que a COVID-19 teve 5x mais óbitos no seu pior momento, comparado com o pior momento da influenza (Figura10).


Apenas o conjuntos de causas externa registrou mais de 100 mil óbitos no período pré-pandêmico em 2019 (Figura 10).


Figura 10: Tabela com o número de óbitos por COVID-19 no e-SUS notifica e Sivep-Gripe e as mortes registradas no Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) antes da pandemia para outras doenças infecciosas e para Influenza e Pneumonia de 2008 a 2021.


Até 26 de março foram registrados 39,7 mil óbitos. Se for mantida a taxa de mortalidade inferior a 10 mil óbitos por mês até dezembro, estima-se fechar o ano com 130 mil óbitos ou menos.



Com base nesta projeção do Institute for Health Metrics and Evaluation, poderia estimar que ao final de 2022 chegaremos a um total de 80 a 100 mil óbitos por COVID-19, infelizmente. Para reverter este padrão só há uma salvação e se chama VACINAÇÃO!!!!


Medidas de posição ou de tendência central
Mostram o valor representativo em torno do qual os dados se distribuem. São utilizadas para sintetizar, em um único número, o conjunto de dados observados. Os valores de muitas variáveis biológicas, como altura, se distribuem de modo simétrico. Outras variáveis, como a mortalidade e a taxa de ataque de uma epidemia, têm distribuição assimétrica. Para distribuições normais (exemplo de distribuição simétrica), a média, a mediana e a moda são idênticas. Para distribuições assimétricas, a mediana representa melhor o conjunto de dados, apesar de que a média tem melhores propriedades para a análise estatística e testes de significância.

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