#7. COVID-19: manejo dos efeitos de longa duração da doença



Em 18 de dezembro o NICE (The National Institute for Clinical Excellence) publicou diretrizes para manejo de efeitos de longo prazo da COVID-19. Esse documento está muito interessante e poderia ser adaptado às orientações nacionais, com as devidas adaptações.


Para desenvolver as recomendações, foram estabelecidas as seguintes definições clínicas para a doença inicial e COVID longo em momentos diferentes:


COVID-19 AGUDA


São casos em que os sinais e sintomas de COVID-19 estão presentes por até 4 semanas.


PÓS-COVID-19 SINTOMÁTICA


São casos em que os sinais e sintomas de COVID-19 duram de 4 a 12 semanas.


SÍNDROME DO PÓS-COVID-19


São as situações em que os sinais e sintomas que se desenvolvem durante ou após uma infecção consistente com COVID-19, permanecem presentes por mais de 12 semanas e não pode ser explicada por um diagnóstico alternativo.


SINAIS E SINTOMAS COMUNS APÓS QUADRO AGUDO DA COVID-19


Os sinais e sintomas após o quadro agudo de COVID-19 agudo podem variar muito de uma pessoa para outra. No entanto, entre os mais comumente relatados incluem:


Sintomas respiratórios

  • Falta de ar

  • Tosse


Sintomas cardiovasculares

  • Aperto no peito

  • Dor no peito

  • Palpitações

Sintomas generalizados

  • Fadiga

  • Febre

  • Dor

Sintomas neurológicos

  • Comprometimento cognitivo ('névoa do cérebro', perda de concentração ou problemas de memória)

  • Dor de cabeça

  • Distúrbios de sono

  • Sintomas de neuropatia periférica (alfinetes e agulhas e dormência)

  • Tontura

  • Delirium (em populações idosas)

Sintomas gastrointestinais

  • Dor abdominal

  • Náusea

  • Diarreia

  • Anorexia e apetite reduzido (em populações idosas)

Sintomas musculoesqueléticos

  • Dor nas articulações

  • Dor muscular

Sintomas psicológicos / psiquiátricos

  • Sintomas de depressão

  • Sintomas de ansiedade

Sintomas de ouvido, nariz e garganta

  • Zumbido

  • Dor de ouvido

  • Dor de garganta

  • Tontura

  • Perda de sabor e / ou cheiro

Dermatológico

  • Erupções cutâneas

Segundo o NICE, nas condições em que a pessoa apresente a pós-COVID-19 sintomática ou a Síndrome pós-COVID-19, os sintomas podem desaparecer em até 12 semanas (3 meses). É importante destacar que a manifestação dessas duas classificações clínicas da COVID-19 não está relacionada à gravidade da COVID-19 aguda (incluindo os hospitalizados). Eles destacam ainda que, se ocorrerem sintomas novos ou contínuos, eles podem mudar de maneira imprevisível, afetando-os de maneiras diferentes em momentos diferentes


No material da NICE está descrito a necessidade dos profissionais de saúde orientarem os pacientes para sobre o desconhecimento do efeito no tratamento provocado por vitaminas e suplementos sem prescrição médica. Não se sabe se são úteis, prejudiciais ou se não têm efeito no tratamento de sintomas novos ou contínuos de COVID-19.


Um ponto de destaque no documento é a orientação para considerar a recomendação de automonitoramento com suporte domiciliar, por meio de medida da frequência cardíaca, pressão arterial e oximetria de pulso. Estes são aparelhos que estão cada vez mais acessíveis e fáceis de usar. No entanto, é fundamental que o profissional dê orientação adequada ao paciente sobre quais são os limites aceitáveis, de acordo com a condição clínica e parâmetros de referência para procurar ajuda adicional.


Outro ponto importante é a necessidade de assistência multiprofissional, incluindo terapia ocupacional, fisioterapia, psicologia clínica e psiquiatria e medicina de reabilitação.


Sugiro conhecer esse material. Se for de seu interesse clique no link abaixo:


COVID-19 rapid guideline: managing the long-term effects of COVID-19


Um pouco de informação sobre o NICE


O Serviço de Saúde do Reino Unido possui uma ampla tradição. São mais de 66 anos de história. O nosso SUS possui uma gama de serviços inspirados nesse sistema, a começar pelo direito à assistência médica e atenção gratuita à saúde. No entanto, eles aprenderam que o dinheiro é finito e não é possível pagar tudo para todos. Coisa que nosso sistema ainda precisa de aprimoramento.


Entre as instituições de excelência deles, está a NICE (The National Institute for Clinical Excellence). Criada em 1999, este instituto possui responsabilidade "similar" à nossa CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) criada em 2011 para assessorar o Ministério da Saúde nas atribuições relativas à incorporação, exclusão ou alteração de tecnologias em saúde pelo SUS, bem como na constituição ou alteração de protocolo clínico ou de diretriz terapêutica.

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