COVID-19 | QUAL É A "ONDA"?



Segundo os dados de incidência, apesar das limitações provocadas pelas baixas testagens, subnotificação e problemas nos sistemas de informações afetando a capacidade de estimar a magnitude, ainda assim, podemos observar a tendência temporal com algum nível de precisão.


As "ondas" de transmissão da COVID-19 no Brasil acompanha a introdução de novas variantes ou seleção de subvariantes. Em 2020 as variantes originais predominavam, ao final do ano de 2020 e início de 2021 a variante Gama surge e provoca a pior fase da doença com reflexos na gravidade e impacto nos serviços de saúde. Ainda em 2021, o Brasil não apresentou um impacto global da variante Delta. No entanto, algumas Unidades Federadas apresentaram uma terceira onda no segundo semestre, como no Distrito Federal, por exemplo. No início de 2022 a variante ômicron apresentou a maior incidência da série histórica, com uma velocidade incrível de transmissão, seguida de uma queda rápida. Poucas semanas após atingirmos a menor incidência desde 2021, começamos a observar o aumento a partir da semana epidemiológica 18 (01/05) provocado pela flexibilização e também pela circulação das variantes BA2, BA4/BA5, associadas ao inverno, período sazonal de síndromes respiratórias agudas.


Encerrada a Semana Epidemiológica 23/2022, em 11 de junho de 2022, observamos que esta 4ª onda de transmissão está iniciando e tem o Distrito Federal e Goiás com as maiores influencias na incidência global, seguido de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Apenas os Estados do Norte e Nordeste não estão pressionando neste momento. Mas as tendências internas, sugerem que também seguem o mesmo caminho.


RISCOS DA ELEVADA TRANSMISSÃO

Apesar do senso comum achar, equivocadamente, que a COVID-19 seja uma doença “leve” e que seus danos possam ser menores do que perder alguns dias de trabalho ou deixar de curtir um final de semana em um show ou atividade com aglomeração, isso pode ser um ledo engano.


Você precisa saber que MESMO QUEM MANISFESTA SINTOMAS LEVES DA DOENÇA, O RISCO DE DESENVOLVER SINTOMAS PERSISTENTES É DE 10% A 35% (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34268556/). Este risco aumenta com a gravidade da doença, como foi registrado recentemente no caso do cantor Justin Bieber. Ou você duvida que ele teve a melhor assistência que o dinheiro pode comprar?!


Ou seja, quanto maior for a persistência da transmissão no Brasil maior o risco de termos pessoas com mais adoecimento, maior pressão sobre o SUS e Planos de Saúde, mais afastamentos e, principalmente, perda de qualidade de vida. Portanto, neste estágio da pandemia, não é da morte que temos mais medo, pois para esta a vacina consegue segurar muito bem. Por outro lado, ela não impede que você fique doente. Para isso, é preciso usar máscara de boa qualidade, evitar aglomerações e diminuir o fluxo em locais públicos.


Por isso, se cuide e cuide dos seus, pois mesmo que não saiba, você pode adiantar processos patológicos que só viria conhecer na velhice. Isso significa que cardiopatas, diabéticos e, até mesmo, pessoas sem doenças ou condições crônicas, podem desenvolver fadiga, dispneia, tosse, dor no peito, dor de cabeça, diminuição do estado mental e cognitivo e disfunção olfativa entre outras manifestações que mesmo a ciência ainda não conseguiu descrever. Além disso, não sabemos como infecções naturais provocadas por novas variantes podem se manifestar nas reinfecções. É por este e outros motivos que devemos evitar a todo custo que mais pessoas se infectem.


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Ao final da postagem  você pode fazer o download da planilha de cálculos

 

GRÁFICOS E TABELAS

Distribuição de casos por 100 mil habitantes por semana epidemiológica de notificação em relação ao intervalo interquartílico semanal das 27 Unidades Federadas de 26 de fevereiro de 2020 a 11 de junho de 2022, segundo dados das secretarias de saúde dos Estados.


BRASIL


REGIÃO SUL

Rio Grande do Sul:
Santa Catarina
Paraná


REGIÃO SUDESTE

São Paulo
Minas Gerais
Rio de Janeiro
Espírito Santo


REGIÃO NORDESTE

Bahia
Sergipe
Alagoas
Pernambuco
Paraíba

Rio Grande do Norte

Ceará
Piuí
Maranhão


REGIÃO CENTRO-OESTE

Distrito Federal
Goiás
Mato Grosso do Sul

Mato Grosso


REGIÃO NORTE

Tocantins
Rondônia
Pará
Amapá
Roraima
Amazonas
Acre

INCIDÊNCIA POR 100 MIL HABITANTES E DISTRIBUIÇÃO POR QUARTIS


Ano de 2020
Ano de 2021
Ano de 2022

MORTALIDADE

Mortes por 1 milhão de habitantes, por Semana Epidemiológica e UF, distribuídos por regiões geográficas e classificação dos quartis, sendo: verde <25% dos óbitos no ano, amarelo 50% e vermelho >75% dos óbitos.


Ano de 2020
Ano de 2021

Ano de 2022

VARIANTES | Comparação da frequência de variantes e subvariantes da Ômicron

Comparação do Brasil com países da América do Sul

Comparação do Brasil com países da América do Norte


Comparação do Brasil com países da Europa


Comparação do Brasil com países da Ásia


Comparação do Brasil com países da Oceania e África do Sul


Comparação do Brasil com países do Oriente Médio

Veja como está subindo os isolamentos de BA.4 e BA.5


Segundo o Instituto Todos pela Saúde, a Ômicron BA.2 chegou ao seu ápice em meados de maio (linha cinza). Desde então, a proporção de casos com perfil SGTP vem caindo rapidamente, um sinal claro do avanço das variantes BA.4 e BA.5, que foram responsáveis pela última onda de casos na África do Sul.


 

CASO TENHA INTERESSE, USE A PLANILHA ONDE FIZ OS CÁLCULOS

2022-06-11 - www.epidemiologista.org - COVID-BR - CASO E ÓBITOS POR SE
.xlsx
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