#9. INFLUENZA 2021: a vacina de 2020 funciona em 2021?




Todos os anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulga a composição das vacinas para que os laboratórios possam produzir e os governos possam realizar as campanhas de rotina. A liberação da composição das vacinas que serão utilizadas pelo Hemisfério Norte (acima da linha do equador) ocorre em meados de fevereiro, enquanto a composição da vacina contra influenza do Hemisfério Sul (abaixo da linha do equador) é divulgada no final de setembro de cada ano.


A vacina de 2021 é diferente para todos os vírus Influenza A e semelhante para o vírus Influenza B. Portanto, não é possível utilizar a mesma vacina do ano passado. Também não servirá a utilização de vacinas do ano passado para quem vai viajar para países da América do Norte, Europa, Ásia. A vacina desta sazonalidade do hemisfério norte é completamente diferente do ano passado. Por isso, fiquem atentos!


Comparação da composição das vacinas trivalentes contra influenza para cada hemisfério, por sazonalidade

Em 21 de setembro, a OMS publicou as orientações do Comitê de especialistas em vacinação, para a vacinação durante a pandemia de COVID-19.


Recomendações da OMS para vacinação contra influenza durante a Pandemia de COVID-19

OMS-Orientações para Vacinação contra In
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Em 2020 o pico de casos de influenza ocorreu entre a semana epidemiológica 9 e 13, meados de fevereiro e março, exatamente quando a COVID-19 estava começando.


Curva de incidência de SRAG por influenza no Brasil 2020 - InfoGripe/Fiocruz

Fonte: http://info.gripe.fiocruz.br/


No hemisfério norte os vírus respiratórios que não são coronavírus reduziram drasticamente em 2020 e esse padrão foi similar no Brasil. Em decorrência de competição entre os vírus pelo hospedeiro humano, pelas medidas de prevenção entre outras medidas. No entanto, é fato que esse padrão não permanecerá muito tempo e se torna uma exigência fazer uma campanha de influenza tão eficiente quanto a de COVID-19

Fonte: https://www.washingtonpost.com/health/2021/01/12/covid-shutdowns-viruses/


A possibilidade de uma recuperação não é meramente teórica: parece já estar acontecendo na Austrália. Relatórios oficiais mostraram níveis historicamente baixos de doenças semelhantes à gripe entre crianças e adultos a partir de maio, geralmente no início da temporada de gripe naquele hemisfério. O declínio acentuado nos casos ocorreu quando o país impôs medidas rígidas de paralisação. Mas nos últimos meses, depois que o coronavírus foi virtualmente eliminado e o país acabou com essas restrições, o número de casos de gripe entre crianças de até 5 anos começou a disparar, aumentando seis vezes em dezembro, quando esses casos costumam ser os mais baixos.

Outros vírus


Dengue, Chikungunya e Zika


É fato que há poucas questões atuais tão importantes quanto a COVID-19. No entanto, os demais vírus não sumiram. Segundo o Boletim Epidemiológico, em 2020 foram 979.764 casos prováveis notificados para Dengue até a SE 50 (taxa de incidência de 466,2 casos por 100 mil habitantes) de dengue no país. Nesse período, a região Centro-Oeste apresentou a maior incidência com 1.200 casos/100 mil habitantes, seguida das regiões Sul (934,1 casos/100 mil habitantes), Sudeste (376,4 casos/100 mil habitantes), Nordeste (261,5 casos/100 mil habitantes) e Norte (120,7 casos/100 mil habitantes)


Esta redução pode ser atribuída à mobilização que as equipes de vigilância epidemiológica estaduais estão realizando diante do enfrentamento da emergência da pandemia do coronavírus (covid-19), o que pode estar ocasionando atraso ou subnotificação das arboviroses. Outro fator importante que pode estar associado ao contexto da pandemia é o receio da população de procurar atendimento em uma unidade de saúde.(SVS/MS)

Curva epidêmica dos casos prováveis de dengue, por semanas epidemiológicas de início de sintomas, Brasil, 2019 e 2020*

Curva epidêmica dos casos prováveis de chikungunya, por semanas epidemiológicas de início de sintomas, Brasil, 2019 e 2020*

Curva epidêmica dos casos prováveis de zika, por semanas epidemiológicas de início de sintomas, Brasil, 2019 e 2020*

Sarampo


No Brasil, entre as semanas epidemiológicas 1 a 50 de 2020 (29/12/2019 a 12/12/2020), foram notificados 16.631 casos de sarampo, confirmados 8.401 (50,5%), descartados 7.856 (47,2%) e estão em investigação 374 (2,3%)


Distribuição dos casos de sarampo por semana epidemiológica do início do exantema e classificação final, Brasil, semanas epidemiológicas 1 a 46, 2020



Fontes:

https://www.who.int/influenza/gip/en/

https://www.who.int/immunization/policy/position_papers/Interim_SAGE_influenza_vaccination_recommendations.pdf?ua=1

http://info.gripe.fiocruz.br/

Boletim Epidemiológico 51 - https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2020/dezembro/28/boletim_epidemiologico_svs_51.pdf

https://www.washingtonpost.com/health/2021/01/12/covid-shutdowns-viruses/

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